Na poesia encontro a arte do viver, a arte do prazer. Em curtos e singelos versos eu encontro a minha paz. (Joyce Marins)
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
Passione della vita
Erga-se diante de mim com teu amor
Faça-me ser completa
Inunde meus dias com teu canto
Preencha minhas noites com teu olhar
Eternize-me em teus braços para que eu seja tua em todo instante
Invada o mais remoto dos meus sonhos
Caia sobre mim o teu ardor, a tua paixão
Levante sobre ti minha entrega, o meu querer
Arda a chama vermelha-viva
E aqueça então nossas vidas
Que eram antes escravas do frio e do desalento
Mas que agora queimam em brasas que nos marcarão até o fim dos tempos
Joyce Marins
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
Neutra
A acidez de suas palavras não me ferem
Tudo o que importa é que eu posso neutralizar tudo
Não depende de você
Depende de mim
E eu escolhi ser alcalina
Vou ser um mar de cal
Enquanto voce ferve sulfuroso
Independente do quão fores ácido
Eu serei ainda mais base
Onde certamente a única reação entre nós só formará sal e água
Sal para você por nas minhas feridas
E água para lavá-las quando se arrepender
Joyce Marins
Sensitiva
Jamais sairia de teus braços.
Diga-me como apagar da memória o aperto do teu abraço!
E a conexão de nossos corpos!
E teus sussurros aos meus ouvidos!
Eu podia sentir a nossa energia transladar de um lado para o outro.
Nossos corpos num enlace sem fim.
Num encontro intenso.
Só eu que senti?
Como?
Era algo tão palpável, tão nítido, tão vivo
que por um instante eu pensei que eu era tua.
E que tu eras meu.
Mas não nos pertencíamos.
Apenas brevemente nos sentimos.
Nos alimentamos de algo novo.
Algo desconhecido.
Algo que não pôde ser esquecido por mim...
Joyce Marins
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
Vazia
A cama vazia é um lembrete amargo
E os lençóis intactos exalam as lembranças
A madeira que outrora assobiava
Hoje soa muda
Carente de corpos e trepidações
E o que foi abrigo de dois corações
Assume agora refúgio de um solitário
Que repousa na ilusão de encontrar conforto
Mas adormece apenas para afugentar o rio de memórias fluido que transcorre vívido e veloz
A esperança traiçoeira é a vigia da noite
Segura de que o amanhã trará sossego
E de que a cama já não estará vazia
Joyce Marins
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