segunda-feira, 18 de julho de 2016

Abrigo


Vou rasgar essa vontade que me rasga
Serei eu a dar os passos que quero
Queimarei a sensação que me queima como brasa

Vou andar entre as ruinhas e me entregar a cada olhar
Serei eu a clamar pelos olhos e lábios
Sucumbirei ao desejo quando esse me alcançar

Vou teimar contra a força absorta nesses braços
Serei eu a dar o sim ou o não, talvez o nunca
Lutarei pelo meu orgulho e esbravejarei no cansaço

Vou
Eu sei que vou
Vou sim
Vou porque é preciso
Serei e serei
Serei ainda mais
Serei pelas outras que não foram, que não puderam ser
Queimarei
Sucumbirei
Lutarei
Pois este é meu templo, meu corpo, meu abrigo




Joyce Cordeiro de Marins

quinta-feira, 3 de março de 2016

Hope


Como dói, menininho, o peito dessa moça
Como choram meus olhos ao teu adeus
Como podes abandonar-me neste mundo frio

Eu sonhei que eu era teu alento
Que tu miavas perto dos meus ouvidos
Pra que eu te acolhesse na cama quente...

...Que hoje já não é tão quente
Fria, digo eu com o coração preto de saudades de ti
Meu amarelo, minha esperança, meu amigo


J C de Marins

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Caminhos


Tantos os caminhos para serem percorridos
Tantas as manhãs para amanhecer ao teu lado
Tantas as noites para adormecer em teus braços
E eu só desejo teu riso

Caminhos de pedra
Caminhos de vidro
Caminhos de terra
E eu escolhi o teu

Soube que ao me doar, não receberia
Soube que ao me mudar, não mudaria
Soube que ao te amar, me amaria
E eu só pensava no hoje

Caminhos de vento
Caminhos de areia
Caminhos do tempo
E eu encontrei o meu


Joyce Marins

terça-feira, 10 de novembro de 2015

O querer


São mãos, pele e lábios
Olhos, dedos e pés
Palavras e dizeres sábios
Lembrando-me de quem és

Chuva molha o rosto rubro
As palavras manchadas me calam
Eu caminho ao Sol de outubro
E seus olhos me prendem e me falam

Do eterno beijo da culpa
Do suave abraço apertado
Do sentimento e da vontade oculta
Que me apertam num laço folgado

Sejam mãos, pele e lábios
Palavras, chuva e beijo
Onde há o amor e o desejo
Que só perdem para os momentos sóbrios


Joyce Marins 10/11/15 

domingo, 12 de julho de 2015

Jornada



Amor, sacrifícios são reais em nossas vidas
Seu toque, seu calor, seu olhar
Todos fazem parte de um você que amo
Eu amo cada parte que te faz ser quem é, e por isso doerá

A vida tem manias
Ela costuma nos abrir os olhos através dos olhos dos outros
Nada é vão na nossa jornada

Vida nova surgirá
E nós, amor, viveremos o novo
E o sacrifício, ele valerá a pena

Nossa jornada é ladrilhada por nossas estrelas
Podemos caminhar e voltar por elas sempre que quisermos
Somos aquilo que nos é permitido ser
E você me faz ser tudo que sou

Joyce Marins

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Ser jardim


Tem uma semente no meu coração
Pra ser sincera jogaram essa semente
E eu descuidadamente permiti que ela fosse nutrida

E ela foi germinando, pouco a pouco
Regaram-na com carinho, compreensão e respeito
E ela foi crescendo, crescendo e fincando raízes

Ai, que sementinha consumidora
Consumiu meu egoísmo, minha presunção e solitarismo
Ela baniu minhas tristezas e deu lugar ao idealismo

Ela me destrói por dentro, sai com seu caule perfurando tudo
Ao mesmo tempo que vive e me faz viver ela me mata
Eu deixei uma vida sozinha pra dar lugar à cumplicidade

Às vezes me perco na imensidão de suas folhas
Seus galhos ricos de frutos, frutos que ainda não provei de todos
Sim, porque sei que esses frutos serão degustados um a um

Tem uma semente no meu coração
Todo dia um tal semeador vem me semear
Não sei se vou ter espaço pra um jardim, só sei que quero ser um


Joyce Cordeiro de Marins

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Culpa e poesia



Você acha que amar leva tempo
Tempo leva pra encontrar o amor
Pra amar só é preciso alguém
O tempo você faz com ela [as batidas de dois corações são as batidas de um relógio

Você acha que o amor é passageiro
Passageiro é o sentimento de mágoa quando o outro vai embora
Pra esquecer alguém é preciso amor próprio
O auto amor é sua única escolha [auto-preservação é como chuva que cai, molha tudo

Você acha que meus versos são versos
Versos são escolhas e eu ainda não fiz as minhas
Pra versear é preciso papel, lápis e culpa
A culpa assusta mais que a morte [a sombra da culpa cega mais que a morte súbita

Joyce Marins