quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Brinquedo


Eu gostava sim, de ser tua amada


E dos teus sonhos ser a parte mais bonita.


Um mundo inteiro criei a nossa volta


E foi só nosso todo o tempo


E eu só tua, todos os momentos.



Sofremos sim, cada qual à sua maneira,


A minha dor igualada a tal amor.


Do teu lado, um suspiro aliviado.


E pouco te importa se a mim sangra o coração.



Hoje, volto cansada e mais doída,


Tendo nas mãos só meu velho coração.


Mas o amor é novo – renascido, mais forte ainda


E nada peço, pois não tens nada para dar.


Resta-me ainda ver teu rosto com carinho


E, se precisas de qualquer coisa, aqui estou.


Brinca comigo, se desejas, sou brinquedo,


Tudo o que quero é te fazer muito feliz.


No teu sorriso eu me perco – sou menina.


Só nos teus braços eu renasço – sou mulher.


Vera Krynski

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Suspiros


Baixou o Sol, surgiu o luar

Suspira minh’alma, clama por ti

Levanta a aurora, e poi-se a raiar

Suspira minh’alma, eu te perdi

A chuva cai como dançar

Suspira minh’alma, te convenci

Aguarda a criança sua canção de ninar

Suspira minh’alma, me esmoreci

A rosa do vento foi a girar

Suspira minh’alma, acaba aqui



Joyce Marins

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Por onde anda o amor?


E as palavras?
Onde andam as palavras?
Presas num passado veloz?
Ou perdidas no vale do medo e da fantasia, e num futuro que eu já previa?

As lembranças?
Por onde andam as lembranças?
Afogadas na desilusão?
Ou num rio sem direção?

Por que a dor?
Diz-me por que a dor?
Os meus sonhos num piscar de olhos viram realidade, temo-os.

E o amor?
Por onde anda o meu amor?
Perdido nos braços de outro alguém?
Ou sozinho na beira da morte sem ninguém?

Sei que minhas súplicas não são dignas de sua compreensão, mas dai-me uma chance minha vida está em sua mão. O meu amor está desamparado, e o segredo ainda não fora desvendado.

A culpa de nossas vidas estarem assim foi minha eu sei, mas não entendo, pois não pequei. Foram esses meus medos que me fizeram te perder. Mas não esqueça, nunca é tarde para esse amor renascer.

Joyce Marins

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Tempo ideal


Pode ter me dado uns anos a mais;
Pode ter tirado pessoas importantes da minha vida;
Pode ter arrancado algo da minha memória;
Pode ter me jogado numa cama de gato;
Pode ter cortado minhas asas;
Pode ter escondido meus sentimentos atrás do morro;
Pode ter me dado de presente a tristeza;
Pode ter me dado uma dor nas costas;
Pode ter levado as lindas rosas do meu jardim;
Pode ter roubado meu sono;
Pode ter levado meu desejo embora;
Pode ter me dado alguns minutos de acréscimo;
Pode ter tirado dos meus braços meus sonhos que por aí estão jogados;
Pode ter me enganado me fazendo pensar que era assim, mas era assado;
Pode ter inventado uma verdade e eu deduzi mentira;
Pode ter me colocado em situações que eu não queria estar;
Pode ter me dopado quando precisava estar consciente;
Pode ter me tirado dos braços de alguém para me botar em outro;
Pode ter me dado oportunidades que eu recusei;
Pode tê-lo tirado de mim;
Pode ter me feito escutar aquela canção quando eu queria dormir;
Pode ter me feito lutar quando eu queria sumir;
Pode ter exposto na parede a minha conclusão;
Pode ter me feito prometer o impossível pro meu coração;
Pode ter me dado chances que eu aceitei;
Pode ter me feito enxergar o mundo com outros olhos;
Pode ter me afastado dos maus pensamentos;
Pode ter me livrado de espinhos;
Pode ter me dado um destino diferente do que eu queria;
Porém, a única coisa que o tempo não me fez, foi eu ter deixado de amar.


Joyce Marins