Na poesia encontro a arte do viver, a arte do prazer. Em curtos e singelos versos eu encontro a minha paz. (Joyce Marins)
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
Neutra
A acidez de suas palavras não me ferem
Tudo o que importa é que eu posso neutralizar tudo
Não depende de você
Depende de mim
E eu escolhi ser alcalina
Vou ser um mar de cal
Enquanto voce ferve sulfuroso
Independente do quão fores ácido
Eu serei ainda mais base
Onde certamente a única reação entre nós só formará sal e água
Sal para você por nas minhas feridas
E água para lavá-las quando se arrepender
Joyce Marins
Sensitiva
Jamais sairia de teus braços.
Diga-me como apagar da memória o aperto do teu abraço!
E a conexão de nossos corpos!
E teus sussurros aos meus ouvidos!
Eu podia sentir a nossa energia transladar de um lado para o outro.
Nossos corpos num enlace sem fim.
Num encontro intenso.
Só eu que senti?
Como?
Era algo tão palpável, tão nítido, tão vivo
que por um instante eu pensei que eu era tua.
E que tu eras meu.
Mas não nos pertencíamos.
Apenas brevemente nos sentimos.
Nos alimentamos de algo novo.
Algo desconhecido.
Algo que não pôde ser esquecido por mim...
Joyce Marins
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
Vazia
A cama vazia é um lembrete amargo
E os lençóis intactos exalam as lembranças
A madeira que outrora assobiava
Hoje soa muda
Carente de corpos e trepidações
E o que foi abrigo de dois corações
Assume agora refúgio de um solitário
Que repousa na ilusão de encontrar conforto
Mas adormece apenas para afugentar o rio de memórias fluido que transcorre vívido e veloz
A esperança traiçoeira é a vigia da noite
Segura de que o amanhã trará sossego
E de que a cama já não estará vazia
Joyce Marins
quarta-feira, 29 de novembro de 2017
Passagem
Desde quando me permiti perder o sono por tua causa
E fazer-te fértil em meus pensamentos
E vivo na minha rotina
Dizem os magos que é o desejo
E se for que seja logo
E rápido
Mas que passe, passe fundo
E certeiro
Rasgue, quebre, seja o que for preciso
Apenas seja
E desapareça
Escape novamente por entre meus dedos
Porque disso eu já me refiz
Apenas faça
Faça o que tiveres que fazer
Só não te esqueças
Que eu me fiz toda
Em todo instante
E que já não sou nada
De agora em diante
Joyce Marins
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