quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Gavetas


Embrulhei e as pus em meio as gavetas
Separei com cuidado, recolhi as gorjetas
Sentei no único degrau das escada
Cochilei, e sonhei com a tarde passada

Levantei, sorri e cantei sozinha
Calei, e catei a esperança com uma pequena pazinha
Podei as ervas daninhas
E joguei-as nas gavetinhas

Colhi meus frutos em forma de espiral
Rezei, e observei uma longa catedral
Olhei os pássaros na varanda, e sentei
Sequei as lágrimas, meus olhos fechei

Deitei no chão vazio e encerado
Caiu eu e minhas gavetas lado a lado
Perdi as forças para levantar e permaneci ao chão
Procurei minha humanidade, mas haviam gavetas no lugar de um coração

Joyce Marins





domingo, 2 de janeiro de 2011

Trilha e mar


Peço sua ajuda para velejar

Mas fique de longe

Quero apenas teu olhar


Finja de verdade a todo instante

Pra eu poder viver em paz

Quero um sorriso constante


Siga meus passos de leve

Permaneça do meu lado

A sua presença você me deve


Trilhe nossas estradas e moradias

Cante nossas canções prediletas

E me abrace enquanto rias


Mas que seja verdadeiro

Ao encanto da manhã

Ao certo, marujo e marinheiro


Joyce Marins

domingo, 26 de dezembro de 2010

Indo


Fico triste porque vou deixar seu nome na agenda

Vou, mas irei porque você quis assim

Irei, e vou levar teu cheiro de jasmim


Estranho pensar na minha ida

Demorei tanto pra chegar aqui, em teu território

Estou indo, e saiba que é para o purgatório


Pagar pelos meus erros que cometi por você

Na rua da amargura, todavia tente entender


Sonhos, balanços e trovões, (Zeus veio me buscar)

Se eu pudesse com você iria ficar

Mas tu já sabes, que estou indo


Pagar pelos meus erros que cometi por você

Na rua da amargura, todavia não pare de entender


Joyce Marins

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Cavalheiro


Cavalgo em teu campo minado

Digito teu nome em meu olhar

Grafito teu rosto nos pés


Saibas que agora meu pensamento não é meu

Saibas que agora nada é certo

E que tudo se perdeu


Ande por minhas ruas vazias

Me convide para tomar bom vinho e dançar

Ainda me deves uma dança, cavalheiro


Corro desiludida nos teus olhares

Tento encontrar verdades

Tais essas que possam me agradar


Seu planeta se alinha ao meu

Minha consciência afundou, se perdeu

Não consigo me lembrar de mais nada


Você, você que me vem com olhares arredios

Que me intriga com meus próprios pensamentos

Você que não tem nome, endereço, só tem o meu amor


Joyce Marins