quinta-feira, 23 de setembro de 2021

70 x 7

Quantas vidas vão me atravessar até que eu volte a sua?

Quantos caminhos percorrerei até que finalmente me encaixe no seu?

Quantos labirintos vencerei para encontrar teu portal?

Quantos os dias a mais que virão para viver sem teu olhar?

Quantas as horas que transcorrerão sem o teu amar?

Quantos os lugares que nascerão até que nasça o nosso lugar?

Quantas as vezes que eu serei com a tua ausência?

Quantas as saudades que terei de nós dois?

Sete

Sete vidas

Sete caminhos

Sete labirintos

Sete dias

Sete horas

Sete lugares

Sete vezes

Sete saudades 

Sete você


Joyce Marins

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019


Uma dose da tua saliva
Um vislumbre do teu suor
Tua pele arranhando a minha
E meu seio alimentando nossa dor
Meu desejo pulsante e vivo
Teu querer do que antes maior
Nossos corpos se unindo em ritmo
De cantiga, de frevo em Em

Joyce Marins

sábado, 15 de dezembro de 2018

Brisa ou ventania


Ar que bagunça meus cabelos
Ar que enche meus pulmões
Ar que envolve meus sonhos
Ar que me cobra inspirações

Há que ter a textura
Há que ter a beleza
Há que ter a loucura
Há que ter a firmeza

Seja ela a de Lina
Seja ela a de Oscar
Ela é sempre a mais bela
Eu a vejo em todo lugar

Joyce Marins

[Uma expressão do meu amor e apreço pela Arquitetura e Urbanismo]

domingo, 2 de dezembro de 2018

Sonho de infância


Bom mesmo é ser criança
Onde se ganha de herança o direito de brincar
Quisera eu ser brincadeira 
Pra toda segunda-feira você de mim brincar

Joyce Marins |A glória dos dias que virão

sábado, 1 de dezembro de 2018

Ressaca


E eu tenho seguido procurando tua boca na de estranhos
Teu abraço em outros corpos
Tua voz em outros sussurros
Não me louvo por isso
Mas sigo assim
Porque se eu parar serei arrastada
Por um mar de lembranças
E sei que se ele me levar não voltarei
Serei engolida pelas águas da saudade tua
E por isso eu tenho seguido

Joyce Marins |A evolução dos fatos

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Notícia tua



Soube que por onde anda tem sempre uma gota de orvalho que faz lembrar de mim.
Sei que as madrugadas são frias e infindas e tem sempre um lençol que faz lembrar meu calor.
Soube que não importa o que faça minha voz vai aos teus ouvidos e te faz lembrar dos sussuros.
Sei que meu fantasma te assombra durante os dias sombrios.
Mas a agonia acabou, tô voltando pra casa, me espera na cama e prepara nosso banho, vamos lavar a alma e o coração.

Joyce Marins

Sabor do passado



Eu li as cartas
Ouvi canções só nossas
E lembrei do quão do era doce o seu amor
E como me preencheu
E é assim que quero guardar as lembranças de nós dois
Num lugar, naquele lugar
Lugar que foi só nosso
Onde fomos um do outro
A pequena e o príncipe

Joyce Marins

terça-feira, 31 de julho de 2018

Azar no jogo


Com sorte ainda te encontro
Com sorte ainda te acho
Com sorte ainda me encaixo
Contigo eu fico e pronto

Com sorte ainda te acerto
Com sorte ainda te levo
Com sorte ainda te quero
Comigo esteja perto

Se a sorte me alcançar
Se a sorte me bendizer
Eu mudo o meu caminho e ando só com você

Joyce Marins

terça-feira, 3 de julho de 2018

Diga


De quem eram as mãos que afagavam com carinho meu rosto?
De quem eram os lábios que alimentaram com ardor meu desejo?
De quem eram os olhos que sondavam com pressa os meus?
Eram tuas as mãos, os lábios, os olhos
Era nosso o desejo, o gosto, o sabor
Era meu, era teu, era nosso o calor
E serão ainda mais
Serão cada vez mais
Serão sempre mais

De quem é a esperança?

Joyce Marins |A fortaleza do sentir

Des abafo





Desfaço-me dos disfarces que durante anos cobriram minha face
Revelo-me feita de inseguranças e incertezas
Desço do meu trono de rainha do gelo
sabendo que você sempre o colocou a prova
E que muitas vezes o fez derreter com seu calor infernal
E que muitas vezes me levou aos céus onde eu deveria ter fincado
minhas raízes, meus pés
Descubro-me do véu de inocência que encobertou meu desejo
Mostro-me ainda mais humana e feita de carne
Só pra confirmar que mesmo não sendo tua agora, hoje sou melhor do que já me fizeste

Joyce Marins  |A evolução dos fatos

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Somos casa



Casa onde todas as dores se dissolvem
Afago que realinha os sentimentos
Esconderijo dos que procuram calor
Às vezes apertado, às vezes apressado
Mas sempre um vislumbre do amor
É lá onde os segredos se guardam
Onde as carícias se eternizam
Forma de compactar as emoções
Cuidado dos que zelam com carinho
Ato que embeleza o caminho
Dos que na vida nada tiveram

O ser todo completo 
E o corpo todo repleto
Da graça em te ter 
No teu poderoso abraço


Joyce Marins


domingo, 18 de fevereiro de 2018

Castigo









Por que, anjo?
Por que apareceste assim?
Quando já não tenho espaço em mim
Quando já não sou eu mais quem mando

Poderia eu pedir que tu partisse?
Que fosses para longe
Onde, de mim, a dor se esconde
Onde o caminho a dois já não existisse

Sofro em saber que me tens sem me ter
Que te pertenço sem me pertencer
Sofro porque sabes quem sou
E sabes até do que não sei

Ó, anjo
É triste o ocaso sem tua presença
Mas sou fraca demais para ter a crença
De que um dia te amarei como mereces


Joyce Marins

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Passione della vita


Erga-se diante de mim com teu amor
Faça-me ser completa
Inunde meus dias com teu canto
Preencha minhas noites com teu olhar
Eternize-me em teus braços para que eu seja tua em todo instante
Invada o mais remoto dos meus sonhos
Caia sobre mim o teu ardor, a tua paixão
Levante sobre ti minha entrega, o meu querer
Arda a chama vermelha-viva 
E aqueça então nossas vidas 
Que eram antes escravas do frio e do desalento 
Mas que agora queimam em brasas que nos marcarão até o fim dos tempos


Joyce Marins

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Neutra



A acidez de suas palavras não me ferem
Tudo o que importa é que eu posso neutralizar tudo
Não depende de você
Depende de mim
E eu escolhi ser alcalina
Vou ser um mar de cal
Enquanto voce ferve sulfuroso
Independente do quão fores ácido
Eu serei ainda mais base
Onde certamente a única reação entre nós só formará sal e água
Sal para você por nas minhas feridas
E água para lavá-las quando se arrepender


Joyce Marins

Sensitiva


Se eu pudesse uma vez mais retornar àquele dia...
Jamais sairia de teus braços.
Diga-me como apagar da memória o aperto do teu abraço! 
E a conexão de nossos corpos!
E teus sussurros aos meus ouvidos!
Eu podia sentir a nossa energia transladar de um lado para o outro. 
Nossos corpos num enlace sem fim.
Num encontro intenso.
Só eu que senti? 
Como?
Era algo tão palpável, tão nítido, tão vivo
que por um instante eu pensei que eu era tua.
E que tu eras meu.
Mas não nos pertencíamos.
Apenas brevemente nos sentimos.
Nos alimentamos de algo novo.
Algo desconhecido.
Algo que não pôde ser esquecido por mim...


Joyce Marins

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Vazia



A cama vazia é um lembrete amargo
E os lençóis intactos exalam as lembranças
A madeira que outrora assobiava 
Hoje soa muda 
Carente de corpos e trepidações
E o que foi abrigo de dois corações
Assume agora refúgio de um solitário
Que repousa na ilusão de encontrar conforto
Mas adormece apenas para afugentar o rio de memórias fluido que transcorre vívido e veloz
A esperança traiçoeira é a vigia da noite 
Segura de que o amanhã trará sossego
E de que a cama já não estará vazia


Joyce Marins

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Passagem



Desde quando me permiti perder o sono por tua causa
E fazer-te fértil em meus pensamentos
E vivo na minha rotina
Dizem os magos que é o desejo
E se for que seja logo
E rápido
Mas que passe, passe fundo
E certeiro
Rasgue, quebre, seja o que for preciso
Apenas seja 
E desapareça
Escape novamente por entre meus dedos
Porque disso eu já me refiz
Apenas faça 
Faça o que tiveres que fazer
Só não te esqueças
Que eu me fiz toda
Em todo instante
E que já não sou nada 
De agora em diante


Joyce Marins

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Adorado estranho


Por qual das ruas você enveredou?
Eu tentei te seguir
Eu tentei não te assustar
E corri
Anjos me diziam pra eu voltar atrás 
Mas eu não pude
Eu precisava ir
Eu não podia voltar
Seu olhar foi tudo que pude guardar
Não o seu nome, ou o seu segredo mais oculto
Apenas o teu olhar
Espero que um dia esse teu olhar encontre o meu
E me faça arrepender de não ter ido até o fim
Naquela rua
Na tua direção


JoyceMarins

terça-feira, 14 de novembro de 2017

A fortaleza


Das forças que ainda me movem restam as minhas próprias
Ser forte não significa permanecer de pé após a turbulência
Mas levantar-se e firmar-se para talvez receber mais um impacto

São forças alheias, forças inimigas, forças que tentam destruir, derrubar
E quando nos parece estarmos distantes de todo o caos
Não nos enganemos, é porque nós já fomos engolidos por ele

E se estivermos no olho do furacão que ao menos possamos sentir e aprender
Sentir um pouco do medo, da dor, da adrenalina, pois assim nos fortaleceremos
Aprender com as circunstâncias, com a dor, com o medo, porque faremos melhor da próxima vez

A força interior, a do mais profundo cerne de nossas almas
A força do âmago do nosso ser
É essa a força que vai nos fortalecer


Joyce Cordeiro de Marins

Da realeza


A corte toda em festa
Vida que se celebra
Vida longa ao rei!


Sua rainha adornada com brilhantes
Seus olhares entrelaçados e vibrantes
Vida longa ao rei!


A festa não para e não desanima
Ela é rainha mas um dia foi sua menina
Vida longa ao rei!


O rei com seu novo trajar
Faz sua beleza se esbanjar
Vida longa ao rei!


O presente da rainha para o rei
Algo que jamais terei
Vida longa ao rei!


A rainha sorridente e o rei que não se cansa
Os dois unidos na mais real das danças
Vida longa ao rei!


Joyce Cordeiro de Marins