Na poesia encontro a arte do viver, a arte do prazer. Em curtos e singelos versos eu encontro a minha paz. (Joyce Marins)
domingo, 18 de fevereiro de 2018
Castigo
Por que, anjo?
Por que apareceste assim?
Quando já não tenho espaço em mim
Quando já não sou eu mais quem mando
Poderia eu pedir que tu partisse?
Que fosses para longe
Onde, de mim, a dor se esconde
Onde o caminho a dois já não existisse
Sofro em saber que me tens sem me ter
Que te pertenço sem me pertencer
Sofro porque sabes quem sou
E sabes até do que não sei
Ó, anjo
É triste o ocaso sem tua presença
Mas sou fraca demais para ter a crença
De que um dia te amarei como mereces
Joyce Marins
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
Passione della vita
Erga-se diante de mim com teu amor
Faça-me ser completa
Inunde meus dias com teu canto
Preencha minhas noites com teu olhar
Eternize-me em teus braços para que eu seja tua em todo instante
Invada o mais remoto dos meus sonhos
Caia sobre mim o teu ardor, a tua paixão
Levante sobre ti minha entrega, o meu querer
Arda a chama vermelha-viva
E aqueça então nossas vidas
Que eram antes escravas do frio e do desalento
Mas que agora queimam em brasas que nos marcarão até o fim dos tempos
Joyce Marins
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
Neutra
A acidez de suas palavras não me ferem
Tudo o que importa é que eu posso neutralizar tudo
Não depende de você
Depende de mim
E eu escolhi ser alcalina
Vou ser um mar de cal
Enquanto voce ferve sulfuroso
Independente do quão fores ácido
Eu serei ainda mais base
Onde certamente a única reação entre nós só formará sal e água
Sal para você por nas minhas feridas
E água para lavá-las quando se arrepender
Joyce Marins
Sensitiva
Jamais sairia de teus braços.
Diga-me como apagar da memória o aperto do teu abraço!
E a conexão de nossos corpos!
E teus sussurros aos meus ouvidos!
Eu podia sentir a nossa energia transladar de um lado para o outro.
Nossos corpos num enlace sem fim.
Num encontro intenso.
Só eu que senti?
Como?
Era algo tão palpável, tão nítido, tão vivo
que por um instante eu pensei que eu era tua.
E que tu eras meu.
Mas não nos pertencíamos.
Apenas brevemente nos sentimos.
Nos alimentamos de algo novo.
Algo desconhecido.
Algo que não pôde ser esquecido por mim...
Joyce Marins
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