Na poesia encontro a arte do viver, a arte do prazer. Em curtos e singelos versos eu encontro a minha paz. (Joyce Marins)
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
Vazia
A cama vazia é um lembrete amargo
E os lençóis intactos exalam as lembranças
A madeira que outrora assobiava
Hoje soa muda
Carente de corpos e trepidações
E o que foi abrigo de dois corações
Assume agora refúgio de um solitário
Que repousa na ilusão de encontrar conforto
Mas adormece apenas para afugentar o rio de memórias fluido que transcorre vívido e veloz
A esperança traiçoeira é a vigia da noite
Segura de que o amanhã trará sossego
E de que a cama já não estará vazia
Joyce Marins
quarta-feira, 29 de novembro de 2017
Passagem
Desde quando me permiti perder o sono por tua causa
E fazer-te fértil em meus pensamentos
E vivo na minha rotina
Dizem os magos que é o desejo
E se for que seja logo
E rápido
Mas que passe, passe fundo
E certeiro
Rasgue, quebre, seja o que for preciso
Apenas seja
E desapareça
Escape novamente por entre meus dedos
Porque disso eu já me refiz
Apenas faça
Faça o que tiveres que fazer
Só não te esqueças
Que eu me fiz toda
Em todo instante
E que já não sou nada
De agora em diante
Joyce Marins
segunda-feira, 20 de novembro de 2017
Adorado estranho
Eu tentei te seguir
Eu tentei não te assustar
E corri
Anjos me diziam pra eu voltar atrás
Mas eu não pude
Eu precisava ir
Eu não podia voltar
Seu olhar foi tudo que pude guardar
Não o seu nome, ou o seu segredo mais oculto
Apenas o teu olhar
Espero que um dia esse teu olhar encontre o meu
E me faça arrepender de não ter ido até o fim
Naquela rua
Na tua direção
JoyceMarins
terça-feira, 14 de novembro de 2017
A fortaleza
Das forças que ainda me movem restam as minhas próprias
Ser forte não significa permanecer de pé após a turbulência
Mas levantar-se e firmar-se para talvez receber mais um impacto
São forças alheias, forças inimigas, forças que tentam destruir, derrubar
E quando nos parece estarmos distantes de todo o caos
Não nos enganemos, é porque nós já fomos engolidos por ele
E se estivermos no olho do furacão que ao menos possamos sentir e aprender
Sentir um pouco do medo, da dor, da adrenalina, pois assim nos fortaleceremos
Aprender com as circunstâncias, com a dor, com o medo, porque faremos melhor da próxima vez
A força interior, a do mais profundo cerne de nossas almas
A força do âmago do nosso ser
É essa a força que vai nos fortalecer
Joyce Cordeiro de Marins
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