sexta-feira, 4 de abril de 2014

Culpa e poesia



Você acha que amar leva tempo
Tempo leva pra encontrar o amor
Pra amar só é preciso alguém
O tempo você faz com ela [as batidas de dois corações são as batidas de um relógio

Você acha que o amor é passageiro
Passageiro é o sentimento de mágoa quando o outro vai embora
Pra esquecer alguém é preciso amor próprio
O auto amor é sua única escolha [auto-preservação é como chuva que cai, molha tudo

Você acha que meus versos são versos
Versos são escolhas e eu ainda não fiz as minhas
Pra versear é preciso papel, lápis e culpa
A culpa assusta mais que a morte [a sombra da culpa cega mais que a morte súbita

Joyce Marins



sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Como pássaro




Foi naquele bater de asas que lembrei
Lembrei da vida que tive presa nos passos
Nos passos do tempo que envolveram-me em laços
E em laços fortes e não afrouxados, eu me arrepiei

Minhas penas eriçaram ao lembrar da prisão
Prisão sentimental e de puro mau gosto
Gosto de dor, de dor que não se apaga, que marca no rosto
Rosto desfigurado e tragado pela desilusão

Desilusão que graças aos Céus foi dissipada
Hoje sigo sozinha e amada
Amada pelo vento

Vento que me traga
Vento que impulsiona minh’asas
Vento que sopra que gela que leva e assopra você


Joyce Cordeiro

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Tradição mulata



Com o canto das aves vem o teu cheiro
Recordar nossos votos e o beijo primeiro
Na noite das emoções vou cantá-la
A música do sonho, minha mãe senzala

O sangue negro que corre na veia fina
Lembra o sofrimento e quando fui menina
Louvo ao Pai dos negros, dos brancos, da raça
Grito aos quatro ventos: sou mulata

Mãe negra, pai branco, coração pulsante
Vibra o tambor da minh’África, eu danço
Soa-me a música branca, eu canto

Joyce Marins



domingo, 18 de novembro de 2012