domingo, 18 de novembro de 2012

Inversões







Quando se constrói a casa na rocha
Nada lhe derruba
Que venha o vento
O sol
A chuva

Quando se cultiva as flores no jardim
Nada as machuca
Que venha o vento
O sol
A chuva

Quando se guarda o amor apenas para si
Ele mesmo se destrói
Não é preciso o vento
Sol
Nem chuva

Joyce Marins

Por nomes possessivos


O vento que sopra meu rosto
Traz na doçura do toque gentil
A lembrança tua

A chuva que tem o sabor do teu aroma
Me recorda a tua estadia
No peito meu

O fogo meu novo amigo
Me presenteia com árdua paixão
Na glória tua

E a terra traduz a noite em
Que nossos corpos se abrasaram
[No devaneio meu

Joyce Marins

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Gesto








Como explicar a agonia que me percorre as veias
Quando encontro o teu olhar
E percebo-me presa em tuas teias?

Como aguentar tua lúcida voz?
É como voar sozinha
Mas não ser tão veloz

Sozinha, mexida, agoniada...
Fazes tudo,
e não fazes nada

Tua alma é como uma sombra sem dono
Teu semblante é inseguro
O teu sorriso reluz abandono

Deixe que eu e o tempo te acolhamos
Faça o curso da vida fluir
Gesto seguido por teus planos


Joyce Marins

sábado, 14 de abril de 2012

Sobre o meu



Que o teu corpo sobre o meu seja terno
Seja calma e saborosa a conquista no prazer
Solidão é para os fortes
Só aguenta quem se faz enlouquecer

Teu sorriso é como chave
Abre a porta da emoção
Teu olhar me incendeia
E contempla a imensidão

Luz lunar, luz solar
Faz brilhar em mim, em ti, em nós
O que se foi... se foi efêmero e veloz

Cultivas em meu ser a presença do querer
Fizeste de mim prisioneira e querida
Fostes além da ciência, e me curaste a ferida

Joyce Marins